
Austrália e França movimentam o debate tributário, enquanto decisões sobre licenças e acesso mudam o cenário dos serviços cripto na Europa e na Ásia Central.
As decisões regulatórias da semana estão em fases diferentes. A Austrália publicou uma minuta de lei sobre declaração de operações para consulta pública. Deputados franceses apoiaram uma emenda relativa a trocas de criptoativos por stablecoins, mas o orçamento ainda não virou lei. Gibraltar e Áustria autorizaram duas empresas do setor, enquanto uma ordem judicial no Centro Financeiro Internacional de Astana mira operadores que atendem sua jurisdição sem licença. Separadamente, a MEXC anunciou a saída de serviços que afeta usuários na Rússia e em Belarus. Para clientes e empresas, essas diferenças têm efeito prático: uma consulta ainda não cria uma obrigação; uma licença não garante que todos os serviços planejados já estejam disponíveis; e a política de uma exchange para determinado país pode mudar o acesso mesmo sem uma nova lei nacional. Os acontecimentos abaixo mostram o que de fato ocorreu e o que continua pendente.
Austrália publica minuta sobre declaração fiscal de criptoativos e abre consulta até 28 de outubro

O Tesouro australiano publicou uma minuta de lei em 15 de outubro para introduzir o Crypto-Asset Reporting Framework da OCDE e um regime nacional de declaração de transações envolvendo residentes australianos. A consulta vai até 28 de outubro; a proposta ainda não é lei.
O pacote também atualiza o Common Reporting Standard existente. Se aprovado, seus requisitos de declaração afetarão a forma como os provedores abrangidos registram e compartilham informações sobre transações. Isso é relevante para serviços financeiros com criptomoedas que atendem clientes australianos, embora o alcance final e a data de implementação dependam do processo legislativo. A providência imediata para os provedores é analisar a minuta e enviar comentários, não tratar os requisitos propostos como se já estivessem em vigor.
Deputados franceses aprovam emenda tributária sobre trocas por stablecoins, mas orçamento segue pendente

A Assembleia Nacional da França aprovou a emenda 3898 em 16 de outubro, por 38 votos a 37. A medida encerraria o diferimento fiscal na conversão de criptoativos em stablecoins lastreadas em moeda fiduciária. Trata-se de uma emenda ao projeto de orçamento de 2027, não de uma regra tributária já promulgada.
A proposta aborda a diferença entre vender criptomoedas por moeda fiduciária e trocá-las por stablecoins. Essa distinção importa para quem usa USDC ou outras stablecoins entre negociações e pagamentos. A votação fixa a posição da Assembleia nesta etapa; contribuintes e provedores de pagamento ainda precisam aguardar o texto final do orçamento antes de mudar o tratamento das transações.
Revolut obtém licença DLT em Gibraltar e BingX EU recebe autorização MiCAR na Áustria

A subsidiária de ativos digitais da Revolut recebeu licença de prestadora DLT em Gibraltar em 19 de outubro, enquanto a BingX EU anunciou uma autorização MiCAR do regulador financeiro austríaco. As duas permissões se aplicam a entidades e regimes jurídicos diferentes, mas oferecem às empresas uma base regulada para os serviços cripto planejados.
A Revolut disse que a aprovação em Gibraltar dará suporte a ofertas internacionais futuras; não informou mercados nem datas de lançamento. Seus serviços cripto atuais no Reino Unido e no Espaço Econômico Europeu operam por outras entidades. A BingX EU afirmou que a autorização austríaca, concedida em 14 de outubro, pode sustentar serviços no EEE sujeitos ao passaporte regulatório, e prepara o lançamento. Quem compara cartões de criptomoedas e plataformas de negociação deve verificar a entidade licenciada e a disponibilidade real do serviço em seu país, sem presumir que a autorização significa acesso imediato em todos os lugares.
Tribunal do AIFC restringe seis operadores cripto sem licença em sua jurisdição

A Astana Financial Services Authority anunciou em 20 de outubro que o Tribunal do AIFC expediu ordens contra seis operadores de plataformas sem licença: BingX, Bitcoin.com, HTX, BitMart, Coinbase e WEEX. A decisão os proíbe de oferecer ou anunciar serviços de ativos digitais dentro do AIFC sem a licença exigida.
O tribunal emitiu a ordem original em 15 de setembro e a alterou em 18 de setembro, depois que a LBank tomou medidas separadas para restringir o acesso. O anúncio saiu nesta semana; a decisão judicial é anterior. A AFSA afirmou que enviaria as ordens ao Google e à Apple para aplicação de restrições geográficas nas lojas de aplicativos. Não anunciou o bloqueio total dessas plataformas em todo o Cazaquistão. A decisão torna o limite da licença do AIFC relevante para operadores de exchanges e usuários que buscam serviços de blockchain supervisionados.
MEXC anuncia encerramento de serviços para usuários afetados na Rússia e em Belarus

A MEXC anunciou que deixará de prestar serviços a usuários da Rússia ou de Belarus. Segundo a exchange, os titulares de contas afetadas receberão avisos individuais com seus prazos e instruções para encerrar posições e retirar ativos.
O comunicado não diz que todas as contas serão encerradas imediatamente: a MEXC afirma que usuários que não receberam uma notificação não são afetados por enquanto, sujeitos aos seus termos. Antes de agir, os clientes devem conferir qualquer mensagem no aplicativo oficial ou na central de comunicados, sobretudo porque a empresa alerta para pedidos fraudulentos de credenciais ou transferências. Para quem movimenta recursos para carteiras de criptomoedas, vale o prazo indicado no próprio aviso verificado, não uma data deduzida da manchete.